Auf Wiedersehen, Deutschland!

Hoje é meu último dia na Alemanha. Não faz tanto tempo assim que eu cheguei, mas parece que faz um tempão que saí de casa.

Eu resolvi vir para cá principalmente para estudar. A intenção inicial era evoluir academicamente, o máximo possível, e praticar meu conhecimento da língua alemã. No final das contas, eu acabei fazendo isso mesmo, mas não bem como eu queria.

Como alguns de vocês puderam acompanhar, desde o começo as dificuldades surgiram. A verdade é que surgiram bem mais do que eu imaginei e, na medida do possível, fui contornando-as.

Meu maior problema foi a demora na entrega dos materiais que eu precisava para estudar. A cada aula os professores passavam novos slides a serem lidos, capítulos de livros, artigos. Alguém precisava adaptar esses materiais para mim, ou seja, colocar em um formato digital, descrever imagens, escrever fórmulas matemáticas de uma forma que eu pudesse lê-las com o meu leitor de telas, etc.

Eu sei que esse processo demora. Meus pais já fizeram muito isso  para mim e eu sei o trabalho que dá, e eu já esperava uma demora, mas nunca me passou pela cabeça que eu teria que esperar tanto. Por sinal, tem coisas que espero até agora, mas já é tarde demais.

Sempre que eu recebia um material novo, eu enviava para as pessoas responsáveis por adaptar os materiais. Desde o começo do semestre fui atrás de tudo que eu precisaria para o semestre inteiro, para agilizar o processo. Uma das matérias, nunca recebi absolutamente nada, e já larguei no primeiro mês. A segunda, fui recebendo pouco a pouco, e acabei o semestre com 6 slides de 21, o que me deixou com a esperança o semestre inteiro de conseguir fazer  a prova no fim. Mas sem como estudar, como é que vou fazer uma prova? Larguei também.

Em um texto anterior eu postei as matérias que eu iria fazer. As duas que tive que largar, por não receber o material, foram aprendizado de máquina e visão computacional. Uma pena ter largado essa última, porque eu estava me interessando muito pelo assunto e o pior é que eu nem sei porque eu não recebi esses materiais. Falta de gente para trabalhar? Esqueceram? Não era possível fazer a adaptação? Eu não sei. Esse lugar, um dos poucos do mundo que lidam com isso,  os materiais que recebi adaptados, tinham uma qualidade incrível, isso não posso negar. Mas acho que faltou um pouco mais de transparência da parte deles de como tudo isso funcionava, gostaria de ter sido melhor bem informado sobre o que se passava.

No entanto, o saldo positivo foi interessante. Na matéria de robótica, fiquei a um passo de tirar a maior nota de todas, não porque eu recebi os materiais, mas sim porque estudei com dois grandes amigos, Mathias e Marcelo, que literalmente fizeram eu aprender tudo lendo os materiais para mim. Valeu mesmo, caras!

Já na matéria de Speech Recognition, tirei uma nota ótima também, porque foi a única matéria que recebi todos os materiais que eu deveria receber. Me esforcei, estudei e deu resultado. O que indica fortemente que quando temos uma chance se quer, a gente pode tentar e conseguir.

No curso de alemão, que eu fazia oito horas por  semana, eu recebi  por volta de 40 páginas de aproximadamente 200 que o livro tinha. Eu tinha dois professores, e um deles começou a digitar as páginas dos livros que iríamos usar;  a ele sou muito grato,  várias atividades extras eu não fiz, e na real eu já tinha desistido na metade de janeiro de fazer a prova. Minha namorada me convenceu: – “O que você tem a perder em fazer a prova?”- E foi com esse pensamento que fiz a prova, e tirei quase a maior nota novamente.

Quando sento   aqui e penso, o que mais eu poderia ter feito? Porque sempre há algo  mais que podemos fazer, não importa a situação. E algumas coisas que eu fiz, mas não foram suficientes. eu fico chateado com essa situação, e alguns amigos interpretam errado, achando que eu estou me culpando. Não estou me culpando, e nem estou culpando as pessoas que disseram que arrumariam os materiais para mim e não arrumaram. Eu analiso a situação: Eu fiz a matéria ou não? A resposta é: não, e é isso que me chateia. Eu queria muito ter feito e aprendido.

Mesmo com esses contratempos, eu gostei demais dessa experiência. Ter morado sozinho me deu várias idéias do que eu quero para minha vida, e como quero que ela seja.

Para quem um dia se perdeu quase na porta de casa, porque estava nevando e colocou o capuz para se proteger, e perdeu todo o sentido da audição  e teve que esperar um amigo que estava chegando em casa vir buscá-lo, dois meses depois essa pessoa estava em  um passado distante, e nem acreditaria que ela mesma estaria indo buscar o motoboy que trazia a comida, que havia se perdido quase na porta da casa dela.

Para quem não sabia fazer absolutamente nada na cozinha, chegou até a ser cômico 3 meses mais tarde explicar passo a passo para outra pessoa como fazer um macarrão a carbonara.

Nada disso seria possível se eu não tivesse recebido ajuda de várias pessoas. Fica registrado aqui o meu muito obrigado para todos os amigos que fiz na Alemanha. Agradeço os meus pais, que apoiaram e financiaram boa parte dessa empreitada, já que a minha bolsa não era tão grande assim. Agradeço a minha namorada Thaisa, por estar todos os dias comigo no skype me apoiando como fosse (ou sendo apenas linda, especialidade dela :P ). E por último, mas não menos importante, meu agradecimento especial ao Marcelo e a Milena, o casal que mais esteve junto comigo nesses últimos 7 meses, seja indo almoçar no Mensa, estudar, me ensinar a cozinhar algumas coisas, ir no mercado, e me abrigarem alguns dias no final do intercâmbio depois que eu tive que deixar o meu quarto, vocês são foda!

E se tem algo  importante que eu trouxe comigo dessa viagem foi, mesmo que eu não esteja fazendo realmente o que eu queira porque não tive as chances que precisei, eu vou fazer qualquer outra coisa. Porque o mundo está cheio de coisas que eu quero fazer, e se eu fosse fazer tudo, eu teria que viver mais de uma vida para terminar.

É só não ficar parado. A vida continua. A vida acontece.

ps: Terminei de escrever esse texto no Brasil e só estou publicando hoje, mas saí da Alemanha no dia 4 de abril.

Irlanda, onde os elfos vivem

Como disse no texto anterior, começo uma série de três posts para
descrever melhor como foi a viagem da semana passada. Acho que antes
mesmo de eu descrever como foi o passeio  e os preparos dele, eu
deveria explicar minha relação com viagens.

Long story short: eu odeio viagens. As com caráter apenas turístico,
desde uns 8 anos para cá, só me desgostaram. O que você mais escuta
das pessoas quando voltam de uma viagem é a maldita frase: – “Como era
bonito!”. O que significa que era apenas bonito e fica por isso mesmo.

E já que é para resgatar coisas de anos passados,  eu devo ter
absorvido um pouco do azar do meu amigo Kenny, o que causou uma
corrente improvável de eventos, que me fez bater a cabeça tão forte
que eu nem me lembro do acontecimento, que por fim, diminuiu meu QI em
100 pontos temporariamente. Porque uma vez, acreditem se quiserem,
minha mãe me convenceu a viajar com ela para uma cidade chamada:
Bonito. No meu mapa, claro, hoje em dia  a cidade chama-se Horrível.

Quando meus amigos disseram que planejavam uma viagem pela Irlanda,
Escócia e Inglaterra, eu realmente considerei participar, pelo único
motivo que eu queria dar mais uma chance a esse tal de turismo. Me
convenci completamente quando tive certeza que minha namorada ia passar um mês aqui na Alemanha antes de ir para o intercâmbio dela, em Portugal.

O dia da viagem chegou, lá fomos nós, de Karlsruhe para Baden-Baden,
cidade ao lado onde fica o aeroporto. Acordamos as 4 da manhã para
pegar o avião as 6. Mochila nas costas, sem mala nenhuma porque
voaríamos de Ryanair, que permite levar, apenas, uma bagagem de mão, do
contrário tem que pagar o despache.

Fizemos conexão em Londres antes de ir para Dublin. No aeroporto de
Londres comi um sanduiche chamado BLT (Bacon, Lettuce and Tomatoes), o
que me fez lembrar da Guiding Eyes (Escola de cães guia onde busquei o
meu).

Ao chegarmos em Dublin, fomos para o Hostel deixar as mochilas para
dar uma volta pela cidade. Permitam-me fazer um adendo sobre Hostels.
Se tiverem um pouco mais de grana, invistam em um lugar melhor para
ficar. Dos três lugares da viagem, o único hostel que prestava foi o
de Dublin. Claro, você divide o quarto com um monte de gente, o
banheiro normalmente está bem sujo e os chuveiros são bizarros, mas é
barato. Mas as vezes você encontra coisas absurdas do tipo, não ter
tomada no quarto, um chuveiro que esfriava no meio do banho quase
congelando  o sujeito, entre outros.

Paramos em um pub na esquina do Hostel para comermos algo. Pubs é o
que não vai faltar em Dublin, pelo menos no centro, certeza que tinha
um ou dois em cada esquina. Achei a comida da Irlanda  melhor que da
Alemanha, mas repetitiva. Talvez eu não tenha procurado muito, mas
todos os pubs que entrei, serviam praticamente a mesma coisa.

Na sexta-feira a noite fizemos um pub crawl, que é basicamente um tour
em vários pubs da cidade. O  diferencial deste que era um pub crawl
musical, onde dois músicos acompanharam a gente o tempo todo,  tocando
e cantando músicas tradicionais da Irlanda, as quais eu sou fascinado.

No dia seguinte fizemos um Walking Tour. Um passeio ao redor da cidade
com um guia, que explica com vários dados históricos, o que era cada
lugar a medida que passávamos por eles. Gosto dos walking tours  por
causa dos dados históricos, mas, no geral, é completamente dispensável
para mim, porque não posso tocar nada, só caminho de um lado para o
outro e escuto o guia falar.

Na Irlanda comi uma série de sanduíches nos pubs, desde hamburgers,
baguetes com carnes e molhos especiais, até os fast-foods da vida e
pizzas, que estavam mais baratos. Em especial, cito um sanduíche de
café da manhã que comi em uma rede de restaurantes chamada Eddie
Rocket’s, que tinha ovos mexidos, bacon, cebola e Black Pudding
(também conhecida como morcela (em português), ou mais comumente
chamada de morcilla), que é uma salsicha feita de sangue. Já havia
comido a morcilla espanhola e gostado muito, mas essa em especial
estava ótima.

No domingo fomos a Howth, uma vila de pescadores na Irlanda. O lugar
mal tem um artigo descente  na wikipédia, mas tem muita história para
contar. Novamente segui meus colegas, mas o passeio não valeu a pena,
pelo menos para mim. Consistiu em uma caminhada, praticamente o dia
inteiro, por trilhas, barrancos, lama, asfalto. Destaco os pontos
positivos da viagem que foram algumas poucas explicações históricas
dadas pelo guia, porque na maioria o lugar era o tipo de lugar que as
pessoas voltam dele e dizem que era ‘bonito’. No entanto, a pausa no
restaurante foi super interessante, porque tive a chance de comer um
Sirloin steak com manteiga de alho,  que segundo minhas pesquisas, é o
corte britânico equivalente ao nosso contra-filé, estava muito bom. A vila, as trilhas, tinham toda aquela paisagem que a gente imagina quando pensa na Irlanda, e admito que me senti em paz quando saí de uma das trilhas, e andando na rua eu senti o cheiro de lenha queimando nas casas. Naquele momento comecei a pensar no passado, e imaginar quando os celtas viviam ali. Não é difícil de imaginar eles ouvindo os ruídos da noite e pensando que são elfos da floresta. Foi um momento muito viagem, bucólico mas maneiro.
 Final de passeio, voltamos acabados para o Hostel e dormimos porque a viagem não acabava em Dublin.

Logo na segunda-feira de manhã partimos para a Escócia. A impressão
que a Irlanda me deixou foi muito positiva, embora eu não tenha feito
muitas coisas que eu tivesse aproveitado ao máximo. Mas realmente
gostei de ter estado lá, caminhado nas ruas e interagido com  várias
pessoas. Os Irlandeses são um povo muito alegre, não tão expansivo
quanto o brasileiro, mas alegre. Notei essa alegria, que aparece muito
mais quando a música está presente, em um pub que fui no sábado a
noite onde todos faziam silêncio para ouvir certas músicas que eram
cantadas pela banda e muitas delas o pessoal acompanhava batendo os
pés no chão e cantando.

O que eu tenho para dizer sobre a Irlanda? Talvez tenha gente que
volte apenas com uma palavra na bagagem para contar para os outros:
Bonita. Eu já diria muitas outras: – Pubs muito confortáveis de se
estar e essa é a intenção deles mesmo. Como um guia nos disse, se
você se sentir que está na casa de um amigo seu ao entrar em um pub,
ou se sentir que está na casa de alguém, o pub cumpriu seu objetivo.
Afinal, os primeiros pubs foram feitos nas garagens das pessoas.
Vibrante – Com sua variedade de instrumentos típicos, a William Pipe
(versão irlandesa da gaita de foles), a tim e low whistle, irish flut,
Bodhran, o violino, que é chamado de Fiddle, a própria afinação
diferenciada  dos violões em (DADGAD), para tocar as músicas
tradicionais, o idioma gaélico, que ainda sobrevive até hoje.
Convidativa – Embora a variedade das comidas não seja lá tão grande,
como já comentei, os cheiros eram mais do que acolhedores. Muitas
vezes estive com fome e quase larguei o tour para entrar em um pub e
pedir seja lá qual fosse a comida, só queria a que estivesse cheirando
igual do que eu senti lá fora.

E muito mais.

E como eles diriam “felicidades! ou ao brindar um drink em gaélico, eu
me despedi da Irlanda dizendo:
-       Slainte!

Django Livre, e eu também

Na semana passada fiz uma viagem com minha namorada e mais 4 amigos pela Irlanda, Escócia e Inglaterra. Embora pretenda contar em outros posts mais detalhadamente, em ordem cronológica, o que aconteceu, achei melhor escrever de uma vez sobre uma das coisas mais fantásticas que aconteceram qual eu queria escrever sobre o mais breve possível.

Ao chegarmos na Inglaterra na última quarta-feira, saímos de King’s Cross, avistamos um Burger King com as palavras “Burger of the Day”a mostra e logo pulamos lá para dentro e almoçamos. Fomos para o Hostel depois disso, apenas para deixar as malas, e partirmos para o cinema, eu e minha namorada, enquanto o resto do grupo ia assistir o jogo do Brasil.

Pffffff Lucas. Você está em Londres e a única coisa que pensa em fazer é ir no cinema?
- Isso mesmo. Por um motivo muito especial.

Chegamos no maior shopping da Europa ou qualquer coisa do tipo, Westfield. Não importava. Eu queria ir ao cinema o mais rápido possível. Compramos os tickets. Iríamos assistir Django Livre.

Mas desta vez, havia algo diferente, havia algo especial que me fazia ficar ansioso e mais ansioso a medida que os minutos de espera para o filme passavam. Seria o primeiro filme com áudio descrição que eu assistiria no cinema.

Áudio descrição, para quem não sabe, é um recurso que permite aos cegos e pessoas com baixa visão entenderem melhor o que se passa na tela. Através de uma narração que acontece durante os momentos que não possuem fala no filme, é explicado cenas, ambientes, ações, enfim, tudo que não é possível compreender sem a visão.

No Brasil, esse tipo de coisa só engatinha. Conseguimos recentemente apenas duas horas de áudio descrição por semana nos canais de TV aberta, o que é absurdamente pouco. Nos cinemas? Nem pensar.

Mas naquela hora nada importava. Lá estava eu, pronto para assistir um filme no cinema, com a chance de entender e aproveitar a mesma coisa que todo mundo.

Ao entrar na sala, pedi pelos meus fones de ouvido, os quais eram bem confortáveis. Eu ficava com um fone de ouvido que me deixava com o canal da áudio descrição, enquanto o som do cinema transmitia os sons normais do filme.

Em cenas com apenas diálogos, deixava uma orelha no fone e outra fora, para ouvir bem as duas coisas e não perder nada. Em cenas de mais ação e barulheira, música, etc, ficava com os dois fones em um volume mais alto para ouvir a descrição em primeiro plano e me focar completamente na descrição do que estava acontecendo e deixar o resto dos sons chegar apenas como plano de fundo.

Foi sensacional.

Nem posso tentar escrever um review deste filme, porque não conseguiria ser imparcial. Eu seria completamente parcial, pela experiência que tudo isso me proporcionou; foram poucas vezes na vida, que consigo me lembrar, de algo semelhante que foi tão empolgante.

Eu vibrava na cadeira do cinema. Eu pregava minhas orelhas no fone, nos sons do cinema, não queria perder um ruído que fosse. Dei risadas e mais risadas com o Dr. Schultz que, diga-se de passagem, é um personagem sensacional e muito engraçado.

Uma característica minha: sempre que leio um livro, assisto um filme é de analisar a história, mesmo a medida que ela decorre, mas desta vez isso ficou completamente de lado. Eu vivia cada cena e somente aquela cena. Não tentava criar um prognóstico, nem mesmo verificava as motivações dos personagens, julgava o enredo ou qualquer coisa do tipo. Tudo isso ficou para depois. Só quando saí da sala do cinema que fui me lembrar que esse tipo de coisa existia.

Porque aquela hora eu queria apenas ver o filme e nada mais.

Perdi várias partes de alguns diálogos, principalmente quando os personagens negros conversavam. O sotaque puxadíssimo as vezes tornava as coisas complicadas pro meu lado, mas logo entrava a áudio descrição em jogo, explicando o que os personagens faziam, e o que não me veio de um modo, veio de outro e logo eu sabia o que se passava.

Fora minha experiência pessoal, o filme é ótimo. Do começo ao fim, se não é a ação que te puxa para a tela, são os diálogos memoráveis. Ao contrário de Inglorious Bastards, que achei certas aparições de violência desnecessárias e forçadas, neste filme a violência, que naturalmente também aparece em excesso por ser um filme do Tarantino, achei muito mais refletora da natureza humana, e de quão sórdida ela pode tornar-se.

Mais do que nunca, participarei dessa luta no Brasil. Precisamos, para já, o mesmo recurso nos nossos cinemas. Pode demorar, mas um dia há de ter áudio descrição nos cinemas brasileiros. Para mais uma vez eu me animar tanto quanto me animei na última quarta.

E como diria Dr. Schultz, eu descreveria toda essa experiência como: “Auf wiedersehen. Bullseye.” (Até a próxima. Na mosca.)

Sobrevivendo

Oi, eu me chamo Lucas, sou estudante, cego e estou fazendo um intercambio na Alemanha.
Faz tanto tempo que não escrevo no blog que achei necessário uma primeira apresentação, caso vocês tenham se esquecido de algum detalhe (haha).
Brincadeiras a parte, eu sempre tento por na cabeça que quero ter uma regularidade na escrita, mas é algo que eu realmente não consigo fazer. Quando as coisas são muito banais ou muito vagas, eu simplesmente apago tudo que escrevi e deixo pra lá. Dizem que Douglas Adams foi trancado uma vez em um quarto para continuar escrevendo O Guia do Mochileiro das Galáxias. Vou tentar o método um dia desses para ver se me ajuda.
Meus amigos tem me cobrado por mais textos . A pergunta superficial típica: “E aí, quando sai um texto novo no blog?”- Mas que, no fundo, todos sabemos o que eles realmente querem dizer:
“- E aí, já explodiu a cozinha? Já foi atropelado? Quase matou alguém?”
A resposta, para todas essas perguntas ocultas, é não.
Tudo tem sido bem mais tranquilo agora que as aulas começaram e o ritmo das coisas passou a ser um pouco mais estável. Minha rotina se resume a ir para as aulas da faculdade, ir para as aulas de alemão, mercado, almoçar na Mensa e sair as vezes no final de semana com o pessoal.
Falando em faculdade, estou fazendo 4 matérias:

  • Robotik I – Einführung in die Robotik = Robótica 1 – Introdução a robótica
  • Computer Vision für Mensch-Maschine-Schnittstellen = visão computacional para interação homem-máquina
  • Maschinelles Lernen = aprendizado de máquina
  • Grundlagen der Automatischen Spracherkennung = fundamentos do reconhecimento de fala automático

De certa forma, são matérias relacionadas a área da computação que mais me atraem, sistemas cognitivos, inteligência artificial e por aí vai.
Em relação aos materiais, utilizados pelos professores, dessas matérias, a universidade já começou a prepará-los para mim. Eles pegam os livros e passam para o formato digital: fórmulas matemáticas, gráficos e figuras, produzem essas coisas de uma forma acessível. No caso das figuras, eles sempre as descrevem. Os gráficos são reproduzidos em alto relevo com uma impressora especial que eles tem por aqui. Já com as fórmulas matemáticas, escrevem tudo em LaTeX, que é uma linguagem de demarcação utilizada para escrever documentos científicos.
Infelizmente todo esse processo demora um pouco para ser feito. Não só aqui, como em todo lugar, isso sempre demorou. Então estou como eu sempre estive no início de todo curso, meio perdido sem meus materiais, estudando quase nada até que as coisas cheguem em minhas mãos e eu possa começar a pegar pesado no que diz respeito ao ritmo de estudo.
Sem nenhuma conexão com o assunto anterior, gostaria de contar rapidamente como preparei uma lasanha esses dias. Eu nunca tinha usado o forno sozinho até então. Notei, de imediato, dois problemas:
1. Saber quando a comida estaria pronta, afinal, todos sabemos que não dá para confiar no tempo que vem na embalagem;
2. Retirar a embalagem lá de dentro sem me queimar.
Bolei uma técnica que serviu super bem.
Eu coloquei a lasanha lá dentro e, 30 minutos depois, fui verificar se estava boa. Coloquei uma luva para não queimar minha mão, e segurei um garfo. Com o garfo fui tateando dentro do forno até encontrar a lasanha, espetei ela até o fundo para verificar o sabor. Estava ruim então deixei mais alguns minutos.
Dez minutos mais tarde fiz a mesma coisa.
Usei o garfo como uma espécie de bengala, tateando a parte de cima do forno, de baixo, os lados, para ter uma noção do espaço e não encostar o meu pulso, que não estava coberto pela luva, e desse modo me manter sem queimaduras.
Encontrei a lasanha, provei, estava boa. Troquei o garfo para a mão que estava sem luva e puxei a lasanha com a mão direita, que era a que estava protegida pela luva. Flawless victory!
Outro dia também resolvi fazer umas salsichas. Coloquei a água para ferver, pela primeira vez na vida. Nessa, admito, um amigo me disse quando a água estava fervendo, o que foi uma boa, porque eu prestei atenção em todos os estágios da água, para saber as diferenças no som que ela faz até estar realmente fervendo. Joguei as 3 salsichas lá dentro e esperei uns 4 minutos. Depois retirei a panela e perdi algum tempo tentando pescar as salsichas lá de dentro com um garfo, mas deu certo. Depois só joguei a água quente na pia e comi feliz.
Acho que com o tempo vou melhorando minhas habilidades culinárias. Pra quem saiu , completamente, do zero, da para dizer que estou indo bem. Minha próxima meta é aprender a fazer um macarrão com algum molho qualquer.
Além das aulas regulares da universidade, estou fazendo uma aula de alemão duas vezes por semana. Estou fazendo o nível B2, o que significa que estou entrando no alemão avançado. Mas para ser honesto, a aula está um pouco acima do meu real nível. O problema é que, eu já havia feito o B1.1, e o B1.2 seria apenas 3 horas de aula por semana, o que eu acho pouco. Por isso escolhi pegar o B2.8, que vai cobrir o B2.1 e B2.2, com 8 horas de aula por semana.

No geral, acredito que isso não vai ser um grande problema. O que me fez achar que eu não estava no nível da aula foi um texto que o professor passou, com 6 perguntas. Das 6 perguntas, consegui responder apenas 3 e achei o resultado ruim. Mas no final das contas, ninguém da turma conseguiu responder mais que 3 perguntas…. então de certa forma, eu talvez não esteja ainda no nível B2, mas o resto da turma também não, o que provavelmente fará o professor dar uma facilitada no nível dos textos que ele traz. De resto, a parte de gramática e outros exercícios, tenho lidado sem maiores problemas.

A Aventura

Nesta terça-feira eu acordei puto.
Puto com a vida, puto porque meu cartão, ou melhor dizendo, meus dois cartões haviam sido engolidos pelos caixas automáticos, sem motivo aparente.
Eu tinha 20 euros no bolso e precisava pagar o aluguel de onde moro, fora esse problema, eu tinha que aprender uma série de novos caminhos até os lugares onde eu tenho aula. Talvez, para quem enxergue, essa história de aprender um novo caminho pareça boba mas problema, quando não se enxerga, é que por mais que eu tenha informações precisas de como chegar do ponto A ao ponto B algo pode ocorrer errado, no meio do caminho, e eu me perder completamente, por exemplo, aqui, em Karlsruhe, estão construindo o metrô, o que faz as ruas terem desvios estranhos, as vezes.
Aah, mas chega de eufemismo.
Retomando: quando existe uma construção, de uma estação de metrô, o desvio que tem que se fazer é uma merda. Aí surge a dúvida: como uma pessoa cega, normalmente, faria para lidar com essa situação? Perguntaria. Como EU faço para lidar com essa situação? Eu balbucio em alemão
fazendo o possível para a resposta que eu venha a receber seja um mero sim ou não, porque, se os caras resolvem responder muito demoradamente já fica complicado. As pessoas tem o costume de enfeitar demais a resposta e daí eu já não entendo mais nada.

Normalmente, gosto de fazer o caminho uma vez com alguém que enxergue, que vá me dizendo os pontos de referência ao longo do caminho, para depois eu fazê-lo sozinho. Mas, nesta terça-feira, meus amigos, preteou o Caqui pro meu lado.
Eu deveria ir na agência da Western Union, buscar o dinheiro que meu pai mandou as pressas para eu pagar o aluguel, ir até o banco alemão onde abri uma conta na semana passada para depositar a quantia necessária, para que, enfim, durante a tarde, debitassem da minha conta o valor que eu deveria pagar. Este seria o caminho mais longo, difícil e confuso que eu teria que fazer. E não tinha ninguém pra ir comigo, a não ser meu fiel companheiro, Timmy.

Comecei minha aventura entrando no site de transporte público para saber que trem eu deveria pegar. Com essa informação em mãos, eu busquei no google maps qual seria a direção a se pegar da estação de trem até a agência da Western Union, depois o caminho a ser feito até o banco. Do banco para casa eu saberia fazer, porque já havia feito com um amigo.

Estava com medo, admito, mas fui mesmo assim (só uma nota, ainda em tempo, eu já disse que tava puto?)

Chegando na estação, na frente da universidade, onde eu pegaria o primeiro trem, algum desgraçado estacionou um carro para descarregar coisas bem no caminho que eu sempre faço para chegar até a plataforma, o resultado foi que eu tive que fazer outro caminho e não me toquei que estava andando no meio dos trilhos. Quando eu ouvi o trem vindo ao longe, tocando o sino, eu logo fui para o lado e achei a plataforma. Não sei quão perto estive de ser atropelado, mas façam o teste aí: se vendem, vão no meio do trilho e esperem ele buzinar para vocês e daí sim saiam do caminho. É uma ótima maneira de começar o dia, por um pouco de emoção na vida.

Entrei no trem com o nome da estação que eu desceria na cabeça, prestei atenção enquanto os pontos eram anunciados. A minha parada foi anunciada, o trem parou, e nada aconteceu. As portas não abriam e acreditem… não tinha ninguém na porra daquele vagão!!!
Eu deveria ter morrido atropelado alguns minutos antes e agora estava tipo em um trem fantasma.

O trem partiu e eu me fodi.
 Aqui na Alemanha, para que a porta do trem abra, é necessário que se aperte um botão que fica normalmente na porta do trem ou em alguma barra de ferro perto da porta, esse sistema é similar aos ônibus de Curitiba. Eu procurei em todos esses lugares e não achei nada.

 Na estação seguinte, eu saí e fui logo exercitar o meu alemão da pior maneira possível.
Eu não sabia onde eu estava, não sabia como voltar, ou seja, a resposta que me dariam seria complicada. Falei com uma mulher por uns 2 minutos e, incrivelmente, eu entendi ela super bem. Ela me levou até outra plataforma, entrei no trem e voltei até o ponto anterior.

Quando eu cheguei, onde eu queria ter chegado antes, comecei a relaxar um pouco, afinal, as coisas estavam começando a dar certo. Ao descer do trem, notei uma coisa estranha, o ambiente não estava muito como deveria estar. Não havia a esquina que o google disse que haveria. Tentei falar com um velhinho que estava por lá mas não entendi absolutamente nada do que ele me disse. Saí andando aleatoriamente até encontrar uns casais, para os quais expliquei minha situação. Adivinhem? O site me passou as coordenadas erradas. Não era aquele ponto que eu deveria ter descido.
 Os caras me colocaram em outro trem e lá fui eu, para outro lugar que não fazia nem noção de onde era, andando em um caminho que, muito provavelmente, teria uma construção (e, sim, tinha uma construção no meio). E pensar que só eram 10 da manhã.


Chegando no lugar, eu, simpático que sou, já fui dando bom dia para quem estivesse ali pra me ouvir. Encontrei um outro velhinho que provavelmente tava indo jogar gamão na praça, porque, aparentemente, ele tava só andando de trem a toa, pelo menos foi o que eu entendi.
Andei com ele por um tempo, enquanto, o simpático senhor, tentava me explicar o caminho que eu deveria fazer, ele perguntava o tempo todo: você me entendeu? E eu respondia com um, sincero, não. Ele tentava explicar de novo, até que uma hora, me cansei e disse que havia entendido, só para ir falar com outra pessoa. Não tinha jeito, o sotaque dele era muito diferente e eu não identificava quase nenhuma palavra.

 Desviei a construção seguindo o fluxo de pessoas. Eu fui ouvindo para onde elas estavam indo e fui atrás. Teve momentos que foi meio complicado porque os grupos se dividiam, mas eu esperei um pouco mais para identificar algum padrão. As pessoas que queriam desviar da construção esperavam, no que era aparentemente um semáforo, enquanto as outras desciam a quadra direto.

 Fui subindo, finalmente, a rua onde eu deveria estar. Percebi que tinha umas mulheres andando atrás de mim já algum tempo, então perguntei se elas subiriam mais a rua e, se sim, se eu poderia ir junto com elas; assim quando vissem o número que eu buscava, me informassem.
Deu certo, cheguei na Western Union!!! LEVEL UP, PORRA!!!!

Depois que peguei a grana, saí do escritório e comecei a descer a rua, porque eu tinha ideia de onde seria o banco. Ouvi uma mulher falando português no celular e novamente usei a tática de acompanhar ela enquanto ela descia a rua, até que visse o número do lugar que eu buscava. Ela foi comigo até o banco.

 Finalmente, meus amigos, eu cheguei no banco. Depositei a dinheiro, saí do prédio e desci, tranquilamente, a rua até a praça onde eu sabia chegar. Encontrei um restaurante, o McDonald’s, pelo cheiro, entrei e comi um hambúrguer: o hambúrguer da vitória.

 Foi uma experiência super assustadora.
Quando eu não entendia o que as pessoas queriam me dizer eu ficava muito incomodado porque poderia ser uma informação importante que eu estava perdendo, ou algo do tipo. Mas, no final das contas, deu certo.
Eu paguei o aluguel, almocei, fui para a aula depois e, no final do dia, fui dormir feliz, porque isso que é independência. Ser quase atropelado pelo trem mas sobreviver :P

Preciso de uma rotina!

Como o título já diz, eu realmente preciso de uma rotina. Essa semana foi completamente corrida, e só hoje eu tive tempo de lavar minhas roupas. Infelizmente outras pessoas tiveram a mesma ideia, o resultado é que estou esperando a máquina de lavar ficar livre a horas. Nesse processo, de lavar roupa, me surgiu uma dúvida: que porra é essa que eu não posso lavar roupa preta junto com roupa branca?
Primeiro, como diabos eu vou saber qual roupa minha é preta e qual é branca? E, pior, que vergonha desse desenvolvimento tecnológico que não resolveu um problema tão básico quanto esse…. Quer saber, vou tocar o foda-se; lavar essas merdas tudo junto e não to nem aí, ou, melhor, vou jogar todas as roupas brancas fora que o problema estará resolvido. Decidido, cheguei a um acordo com o universo.

Os últimos dias se resumem no final da semana de Orientação dos Estrangeiros.
Registrei-me na cidade, ganhei um ticket que me permite andar de trem e ônibus de graça, em Karlsruhe, por 6 meses, criei uma conta no banco e fiz a matrícula na universidade.
Todos os itens descritos acima deram errado em alguma parte do processo e eu tive que ir atrás de documentos, cópias, etc., a semana inteira o que me tomou um tempo gigantesco. De mão dada com hans Murphy eu vou seguindo.

Falando em banco, viajei para a Alemanha com um cartão chamado “Visa Travel Money”. Aparentemente é uma ótima alternativa para se viajar, porque você carrega ele no Brasil em reais, o dinheiro é convertido para euro, e você pode usá-lo como um cartão de débito aqui fora ou pode sacar o dinheiro em caixas. O problema foi que as máquinas aqui engoliram os meus dois cartões!!!
Tanto o original quanto o reserva. Máquinas que constavam no site da Visa como disponíveis para saque. Mas qual o problema disso tudo… acontece que eu tenho 20 Euros no bolso e nenhuma vontade de me prostituir. Me resta apenas colocar velas no meu Drakkar e pilhar a região como um viking.

Na quinta-feira fizemos um teste de alemão para sabermos o nosso nível de proficiência. Eu fiz a prova para entrar no nível B1, tive aproveitamento total de 80% da prova, e nesta segunda-feira (24) as aulas começam. Será um curso intensivo de alemão de 3 semanas.

Ainda na quinta-feira, a noite, fomos em um bar que teria uma competição de Karaokê. Os estudantes estrangeiros foram divididos em grupos no início da semana, e cada grupo cantaria uma música. Eu não pude praticar com o meu grupo porque tinha ido ao médico e acabei indo resolver uns outros problemas depois. Mas, na hora, me falaram qual música seria, coincidentemente eu conhecia, então fui cantar com eles. Cantamos “Du Hast”, do Rammstein. Foi incrivelmente foda. Eu e mais um cara cantamos algumas partes usando gutural enquanto os outros só cantavam em coro mesmo. Muita gente lá no bar sabia cantar essa e agitamos a porra toda. E adivinhem só? Claro, ganhamos a competição \o/

Sexta-feira fizemos uma viagem para Heidelberg, com vários estudantes estrangeiros e alguns tutores da faculdade. Eu realmente imaginei que teria vários parágrafos para escrever sobre a cidade, mas foi tão frustrante quanto a vez que viajei para Bonito, no MS. O que tenho a dizer é que andei, andei, ouvi barulho de pessoas tirando foto, andei mais um pouco, comi uma comida de qualidade baixa, andei mais um pouco e as três da tarde eu não aguentava mais aquilo… ainda bem que consegui dar o fora lá pelas cinco com outras pessoas que queriam ir embora. Meus amigos gostaram pra caramba, parece que o lugar era muito bonito, tinha as ruínas de um castelo, um museu da universidade de Heidelberg, que é a universidade mais antiga da Alemanha, e o lugar que achei mais maluco de todos: a prisão dos estudantes, qual ficava na universidade. Sério, os caras eram presos em uma prisão especial, surreal.
Um adendo inútil a esse texto: faz anos que não faço uma viagem que eu possa dizer que gostei. Tirando aquelas que viajei exclusivamente para encontrar amigos ou ir a um evento, viagens que tinham um caráter exclusivamente turístico tem apenas me chateado. A maioria das coisas são muito visuais, não tem nada para eu fazer, o que acaba me entediando demais. Acho que estou tentando os lugares errados.

O final de semana foi particularmente tranquilo, no domingo teve o encerramento da semana de orientação. Cada pessoa tinha que levar um prato típico do seu país, e faríamos um grande jantar juntos. Foi muito interessante, embora tenhamos levado pouca comida e ela logo acabou. Mas a variedade era enorme. Como crepes franceses, massas italianas, rocamboles finlandeses, água de valência da Espanha, alfajores argentinos, comidas bizarras chinesas e mais um monte de coisas que não vou me lembrar ou que não provei.

Nós, brasileiros, fizemos pão de queijo e brigadeiro. Mas, se eu tivesse dinheiro infinito, teria feito um churrasco pra mostrar pra toda aquela galera o que é comer bem, de verdade, porém, como eu disse anteriormente, tenho 20 euros no bolso até que recupere meu cartão ou que receba dinheiro de outra forma.
Retomando para o nosso pão de queijo… para acharmos polvilho, ingrediente necessário para fazer o pão de queijo, não foi fácil. Achamos uma receita na internet que substituía os tradicionais ingredientes brasileiros por alguns outros itens locais.
O substituto do polvilho se chamava Tapiokamehl, só achamos isso em uma loja de produtos asiáticos… nosso palpite é que essa Tapiokamehl era uma espécie de farinha de mandioca. Entretanto, com ela em mãos, não chegamos a um consenso, pra decidir se era farinha de mandioca se era o polvilho mesmo ou se era um intermediário. O fato é que isso, na verdade, não importa, o importante é que fizemos o pão de queijo e ficou bom.

Uma hora tinha que melhorar!

Gostaria de começar este texto dizendo que quase entramos em guerra com a Croácia… mas agora está tudo bem.
Obrigado, Entei.

As coisas, como eu disse, começaram a melhorar muito depois que eu me mudei para outro alojamento.
Estou morando agora em uma Wonenheim, que fica ao lado do campus. Embora o campus da universidade seja gigantesco, as partes dele, que realmente importam, ficam perto de onde eu moro, tipo a biblioteca, mensa (que é tipo um restaurante universitário alemão) e alguns prédios, onde o pessoal da ciências da computação tem aula.

Na segunda-feira de manhã tivemos uma reunião para conversar com a dona do quarto, que veio da Croácia essa semana, onde eu fiquei alocado provisoriamente no final de semana.
A ideia era que eu ficasse com ele e que ela se mudasse para onde eu estava. Inicialmente, a croata não queria isso de jeito nenhum. Argumentamos, então, que ela poderia usar a bicicleta, como todo mundo, enquanto eu, não. Salientamos, também, que para ela seria fácil pegar o trem e fazer a troca, assim como atravessar as milhares de ruas sem semáforo, e que, diferente de mim, ela conseguiria andar pelo meio da rua, com relativa segurança, visto que não existe calçada naquela parte da cidade, desviando dos carros que, eventualmente, apareçam. Enfim, pontuamos todas as coisas que eu ia ter muita dificuldade em fazer.
Eu já estava quase largando os ‘bets’, pensando em alguma frase de efeito, pra terminar aquela conversa, para que, de alguma maneira, as pessoas na sala se lembrassem da merda no ventilador que estava sendo toda aquela situação, mas, por um, feliz, acaso do destino, a croata topou em ver o outro quarto antes de se decidir.
Quando ela chegou lá, gostou muito do quarto.
Óbvio, né, já que o quarto, em questão, é duas vezes maior que o outro, que estávamos disputando, além disso ele é munido com uma geladeira própria e muitas outras coisas.
Então, adivinhem? Ela topou trocar.

Tudo resolvido, da maneira mais amigável possível, com a casa, pude me dar a liberdade de relaxar um pouquinho e pensar no que eu faria ao longo da semana. Não demorou para que surgissem novos detalhes para serem acertados.
Essa semana começou a Semana de Introdução aos Estrangeiros.
O pessoal nos instrui em como fazer as principais coisas que temos que fazer para estarmos matriculados na universidade entre outros; como criar uma conta no banco, nos registrarmos na cidade, seguro saúde etc.

Eles, também, têm organizado algumas festas para que os estrangeiros se entrosem entre si e com alunos alemães.
Ontem, por exemplo, fui a uma festa para ficar, no máximo, umas duas horas, queria voltar logo para dormir. Não me acostumei, ainda, com o fuso horário. A festa foi interessante e conversei com muita gente. Para falar a verdade, acho que aprendi mais italiano do que alemão ontem. Conversei com um cara que era da Itália, estávamos conversando sobre as semelhanças entre o português e o Italiano, as quais, diga-se de passagem, são muitas!

Sei que é importante eu falar pra vocês como é a cidade, quando começam as aulas, como eu e o Timmy estamos, se fiz amigos e afins, porém, saco vazio não pára em pé, sendo assim fica impossível eu ignorar a gastronomia local e seria um pouco de egoísmo não compartilhar minha opinião.
Algo que eu já dizia, baseado na minha intuição e relatos de outros, agora eu tenho certeza. No Brasil, comemos melhor do que no mundo inteiro. Não é pela questão de que tenho que me acostumar e tudo mais, mas sim pelos preços praticados, variedade de ingredientes, pratos encontrados e por aí vai….
E como eu posso afirmar que comemos melhor que o mundo inteiro se me encontro, apenas, na Alemanha?
Devo ter conhecido mais estrangeiros aqui do que alemães, estudantes que também estão fazendo intercâmbio. Papo vai, papo vem, sempre acabamos caindo no quesito comida e, eu, sempre pergunto sobre preços, as coisas que eles conseguem comprar no mercado, e tal tal tal…

Saudade dos amigos? Que nada, to com saudade é de carne de gado!

Mais perdido que cego na Blitzkrieg

Estou a menos de uma semana na Alemanha e já são tantas as coisas para contar que fica difícil entrar em detalhes, mas posso dizer que foram, por enquanto, os dias mais difíceis da minha vida.

Terça-feira, a tarde, deixei o Brasil.
Por sorte, encontrei, algumas semanas antes, outra pessoa que viria para Karlsruhe, e conseguimos comprar uma passagem de avião pro mesmo dia. Então lá fomos, Annelisa, Timmy e eu, juntos para a Alemanha. Fazia tempo que eu não me sentia tão ansioso quanto me senti no momento de embarcar, mas essa sensação, estranhamente, passou logo que sentei no avião.

O primeiro trecho foi de Curitiba à São Paulo e o segundo de São Paulo para Frankfurt.
No aeroporto de São Paulo tivemos a sorte de encontrar outros alunos da UFPR, que por coincidência também compraram a passagem para o mesmo dia, e que, por mais conincidência ainda, também iriam fazer intercâmbio em Karlsruhe!!! Logo conversamos um pouco e ficamos todos amigos.

Assim que entramos no avião para Frankfurt, os acentos que haviam sido reservados para nós, que eram lugares com um pouco mais de espaço para as pernas, para poder acomodar o Timmy deitado no chão, não poderiam ser usados porque eram saídas de emergência. Chamaram a chefe de cabine do voo e prontamente ela disse uma frase que eu não iria me esquecer:
“Vou dar para vocês um upgrade.”
E lá fomos, amigos. Viajando feito reis, porque não tinha como ficar melhor. Na real até tinha; Inicialmente pensei que estávamos na primeira classe, mas na verdade era a business class. A primeira classe, pelo que dizem, era melhor ainda.

Seja primeira classe, ou não, o lugar onde eu estava já era ótimo o suficiente. Sentamos na fileira do meio do avião, onde haviam 3 bancos. Eu fiquei no do meio, a Anne no da direita e o Timmy deitou no chão na frente do banco da esquerda. Os bancos deitavam completamente até virarem uma cama, a comida era muito boa, as bebidas existiam de todo tipo e a vontade. Quando ofereceram champagne eu apenas aceitei uma taça e pensei comigo mesmo:
“Like a boss!!”
A viagem foi, particularmente, tranquila, até que lá por duas da manhã, quando eu já tinha conseguido pegar no sono, o avião sofre uma turbulência, e faz uma caída brusca, como se estivessemos em uma descida leve de uma montanha russa. Sério, eu acordei dando um pulo, assustado pra caralho enquanto outras pessoas davam uns gritinhos contidos. E o Timmy? Levantou a cabeça, imagino que com uma cara de “What the fuck man” e voltou a dormir.

Falando no Timmy, ele me surpreende cada vez mais. Com certeza essa foi a viagem mais longa que fizemos juntos de avião. Isso significa que ele não pode ir ao banheiro por várias horas, mas ele aguentou super bem e foi comportado deitadinho no seu canto. Good boy!

Quando chegamos em Frankfurt uma pessoa do aeroporto veio para me ajudar. Ela só falava Alemão e, desde aquele momento, eu ia ter que ir praticando os meus conhecimentos no novo idioma, quais diga-se de passagem, são bem precários, ainda. Consegui responder as perguntas da mulher no geral e logo conseguimos nossas malas.

Pegamos um trem para Karlsruhe e na estação final uma pessoa viria me buscar. Foi quando me levaram para a minha nova casa que os problemas começaram.

O lugar que eu estava alocado era muito longe da universidade, do centro… de tudo.
O ambiente era ótimo, um apartamento pequeno com quarto e cozinha junto e um banheiro. Porém, como eu disse, muito fora de mão para mim que preciso andar, ao invés de usar a bicicleta, que é o principal meio de transporte por aqui.

Como eu cheguei depois das 4 da tarde, o responsável pelo alojamento não se encontrava mais lá. Isso significava que eu não podia assinar o contrato, conseguir utencilhos básicos de sobrevivência e por aí vai. O chuveiro estava desconectado, não havia nenhum talher, a internet não funcionava, eu não tinha roupa de cama, cobertor… e o pior, eu não sabia andar sozinho para chegar até o centro para comprar essas coisas.

A pessoa que me deixou lá logo teria que sair, mas antes disso conseguiu chamar um estudante de Karlsruhe, que iria me ajudar no que eu precisasse. O cara foi muito gente boa. Ele foi até onde eu ficava, me trouxe algumas coisas incluindo um cobertor.

Saí para dar uma volta com ele pela cidade e no pequeno trajeto que fizemos para chegar até a estação de trem eu comecei a perceber que estaria perdido se ficasse naquele lugar.
O lugar era uma área muito residencial onde a rua que passava em frente também servia como calçada. O que não impedia os carros e as bicicletas de passarem. Além disso, era preciso atravessar uma rua, que não tinha semáforo e era bem movimentada. Seria algo tranquilo em outras circunstâncias, onde eu poderia pedir ajuda para atravessar, mas como o lugar era bem residencial mesmo, o número de pessoas na rua é quase nulo.

Os problemas começaram a aparecer cada vez mais a medida que fazíamos nosso caminho para o centro da cidade. Era preciso pegar dois trems para chegar, fazendo uma baldeação que não era muito fácil de adivinhar o trem correto a se pegar quando não se enxerga.

Na quarta-feira, quando voltei para casa depois do passeio, eu me senti muito deprimido. Tudo parecia conspirar para não dar certo e quando eu notei que nem uma faca eu tinha para abrir a comida do meu cachorro, eu sentei e comecei a refletir sobre tudo que eu havia decidido fazer. Naquele momento tudo parecia errado.

Os meus pontos fracos mais críticos se mostravam a cada momento. Eu tenho dificuldades em me deslocar em uma área nova, onde ninguém me mostrou o caminho de onde são as coisas. As travessias de ruas que eu não podia fazer direito nem mesmo com a ajuda do Timmy. A falta da Internet, o que me tirava a comunicação, que me é tão útil na hora de buscar informações para resolver meus problemas, seja lá qual for sua natureza. O alojamento que eu me encontrava estava totalmente vazio, o que me impossibilitava de pedir ajuda para alguém. Como é ainda época de férias, a maioria dos alemães não se encontram por aqui. A união de tudo isso estava me assustando pra valer.

Na quinta-feira, esse sentimento de derrota se abateu mais uma vez sobre mim e nessa hora eu quase desisti de tudo. Como se não bastasse todos os problemas que eu estava tendo, a pessoa que eu havia combinado de me encontrar as 11 da manhã para me levar ao centro comprar as coisas básicas e me encontrar com meus amigos brasileiros não apareceu. Eu notei mais uma vez um ponto fraco meu vindo a tona, onde eu dependia de uma pessoa exclusivamente para resolver meu problema.

Com fome, querendo tomar banho, sem saber onde eu estava, essas coisas começaram a me sufocar cada vez mais. É estranho tentar explicá-las agora em palavras, onde eu apenas as listo e não consigo passar a emoção suficiente que elas me passavam, aquela sensação opressora que eu estava sentindo. Lembro que respirei fundo e pensei se havia algum modo de resolver tudo aquilo… havia.

A pessoa que iria me buscar finalmente apareceu. Era o mesmo estudante alemão do dia anterior, que pedia desculpas após chegar andando no lugar onde eu morava arrastando sua bicicleta, qual quebrou no caminho.

Fomos para o centro e logo rodamos vários escritórios da universidade para conseguir me trocar de lugar. A ajuda desse cara foi ótima, porque ele discutia com cada um que a gente encontrava no caminho para conseguir o contato dos superiores que realmente poderiam fazer alguma coisa.

Conseguimos um outro alojamento temporário para eu ficar durante o final de semana. Era o mesmo que outro estudante brasileiro, que eu encontrei no aeroporto, mora. O nome dele é Felipe e o cara está me dando uma ajuda inestimável nesses últimos dias.

Segunda-feira haverá uma reunião para ver onde eu realmente vou ficar. A idéia é que eu fique nesse quarto e a pessoa que viria para cá, na segunda, fique com o meu antigo. Ou se isso não der certo, o Felipe vai para o meu outro quarto e eu fico com o dele nesse lugar, mas não há nada certo,por enquanto. Parece que me alocaram nesse lugar super longe inicialmente porque era o único lugar que aceitavam cachorro, e por isso não fiquei em outro mais perto. Mas haverá uma reunião, como eu disse, para decidir tudo isso e espero que o resultado seja positivo.

Agora sim, as coisas estão começando a dar certo. Na sexta e sábado saí com o pessoal do Brasil e alguns alemães, afinal, agora eles conseguem me achar porque moro ao lado da universidade!!!

Já aprendi o caminho para uma farmácia, um mercado, dois restaurantes e a própria universidade. Estou pouco a pouco aprendendo como se faz comida, como se limpa o quarto, e cada vez menos as pessoas precisam me ajudar com alguma coisa.

Esses dias me fizeram pensar muito sobre o que significa ser independente. Por um tempo achei que eu não seria capaz de ser. Com certeza existem coisas que eu não posso fazer, e outras que terei dificuldade. Mas o que eu percebi também, é que se eu tenho as chances necessárias, um apoio inicial, eu posso muito bem atingir os meus objetivos. Agora que moro em um lugar mais acessível, consigo ir a pé em todos os lugares que eu quero. Consigo, também, me encontrar com as pessoas que podem me dar uma força quando eu preciso.

No mais, sexta e sábado consegui aproveitar um pouco de Karlsruhe. Passeamos, fizemos algumas compras no mercado, e descobrimos cada dia um pouco mais sobre a cidade. Me impressiona o fato das calçadas aqui serem todas lisas e perfeitas facilitando muito na acessibilidade. Quase todos os semáforos por aqui tem um botão que você aperta, e quando o sinal está verde, esse botão vibra, indicando que é seguro atravessar. Além disso, existe uma pequena seta sobre esse botão, indicando a direção do cruzamento que esse semáforo controla, é realmente incrível!

A maioria dos alemães que interagimos nos trataram super bem. Bati um papo de uns 5 minutos com uma mulher na farmácia, quando eu tentava encomendar um remédio, tudo em alemão, e foi muito legal. Outra hora entramos, também, em uma loja de violinos para ver os preços, e eu, não sei como, consegui conversar com a mulher sobre que tipo de violino eu queria, faixa de preço, tipo de arco, tipo de queixeira e muito mais.

Domingo irei em um churrasco organizado por outros brasileiros que já moram aqui em Karlsruhe. Acho que vai ser bacana e espero que haja alemães por lá para que possamos praticar o Deutsch.

Depois dos dois primeiros dias, que foram um inferno, sinto que as coisas vão começar a melhorar.
Ainda existem problemas, com certeza, a diferença é que agora posso enfrentá-los em separado, estando alimentado, de banho tomado e com o cachorro, também, de estômago cheio :P

Auf Wiedersehen!

[Deutschlandsage] – Prólogo

Estou embarcando em uma nova aventura, se é que possamos chamá-la assim. Vamos supor que seja uma por dois motivos: Primeiro, certamente ela contém os principais aspectos que uma aventura de capa e espada tem que ter. Saída da minha zona de conforto, uma terra distante ao norte, um idioma novo, um castelo e um monstro terrível: A comercialização da picanha beira 1.5 rins humanos o kg. Segundo, por um motivo inútil que é a excentricidade do escritor desta porcaria de epicificar suas histórias, que é o ato de tornar as coisas épicas, a palavra aventura pertence a categoria de palavras a se por em uma prosa épica, por isso, aqui ela está. Agora que já estamos acertados que vou em uma aventura, posso dizer que estou inaugurando mais uma categoria nesse blog que passou muito tempo sem nenhum texto novo pelo simples fato de que eu não sei sobre o que escrever. Esta categoria vai ser die Deutschlandsage (a saga da Alemanha).

Estou fazendo intercâmbio pela universidade. Competi com mais um pessoal por uma bolsa de estudos, ganhei, e aqui estou eu. Escolhi a Alemanha, mais precisamente a cidade de Karlsruhe, para ser meu destino porque dentre os lugares pesquisados, este era o lugar mais preparado para receber uma pessoa cega. Eles possuem um centro dentro da universidade responsável por adaptar materiais para os cegos. Isso não é novidade, muitos lugares do mundo possuem isso. O que eles tem de diferente mesmo é que eles adaptam materiais da área das exatas a muito tempo, e isso sim é um grande diferencial.
Caso você queira saber um pouco mais sobre o lugar, seguem um vídeo com duas partes sobre lá:

O outro motivo pelo qual escolhi este destino é porque quando acabei de fazer inglês, fiquei pensando que outro idioma eu estudaria. Não acredito que eu esteja perfeito no inglês, pelo contrário. Mas uma vez que acabei o curso, consegui o diploma, agora os estudos são por minha conta e seria interessante se eu começasse outra coisa. Escolhi o alemão.

O idioma alemão é incrível. Eu gosto bastante de estudá-lo, mas com total certeza ele é muito mais difícil que o inglês. A primeira vista a pronúncia pode parecer a maior dificuldade, mas acabei superando esse quesito mais rápido do que imaginei. Para mim, o que é difícil mesmo, são as declinações: Dativo, acusativo, genitivo e nominativo. Tais declinações introduzem uma complexidade no ato de falar / escrever que levou e ainda vai levar, um bom tempo para eu me acostumar.

No mais, estou bem empolgado com a idéia. As aulas começam em outubro, mas no início de setembro já estarei na Alemanha para fazer um curso intensivo de alemão oferecido pela universidade. Duvido que eu entenda uma aula se quer dita em alemão nos primeiros dois primeiros meses, mas tudo bem.

Wir sehen uns in Deutschland!

Campus Party 2012 – EU FUI!!!

Hoje foi meu último dia de Campus Party. Um evento que a dois anos, quando ouvi falar pela primeira vez, pensei que não conseguiria aproveitar e me divertir nele, mas que hoje já faço planos para retornar ano que vem. A Campus Party é um evento de tecnologia, inovação, interação social, palestras muito interessantes, onde as pessoas dormem em barracas que ficam dentro de um salão, e no tempo que não estão dormindo acessam uma internet absurdamente rápida, assistem palestras, e o mais importante de tudo, conversam com as pessoas que conheciam até então só na rede. Ufa; acho que consegui resumir o que é o evento em não tão poucas palavras, mas pelo menos eu tentei. Só estando lá para conhecer realmente como o evento pode ser bom.

Neste ano fui convidado para participar de um debate chamado web para todos, onde discutimos maneiras de tornar a internet mais acessível para pessoas com deficiência visual, auditiva, motora e cognitiva. Um assunto de extrema relevância nos dias atuais, que necessita mais de conscientização do que convencimento. As pessoas quando confrontadas com essa realidade, na grande maioria, estão dispostas a se engajarem nesta causa. O que estamos precisando mesmo é mostrar que essa realidade existe, ou seja, que pessoas com deficiência acessam a Internet. Por isto esse tipo de debate, promovido pelo evento, é importante, porque fornece um espaço que possui um alcance muito grande, atingindo um maior número de pessoas.

Não sou completamente otimista que conseguiremos melhorar até o ponto que desejamos apenas na base da conversa. Embora eu tenha inúmeros exemplos onde um simples pedido foi suficiente para que problemas de acessibilidade fossem concertados, tal como em aplicativos para iPhone, páginas web (principalmente blogs), temos o exemplo clássico que são os sites de compras de passagens aéreas, que mesmo depois de muita reclamação, continuam a não ser nada amigáveis a leitores de tela, a navegadores que não sejam o internet Explorer, etc. Estes são alguns exemplos de problemas de acessibilidade para pessoas com deficiência, e sem deficiência.

Além deste debate, tive a oportunidade de conversar com várias pessoas que só mantive até então um contato online, conhecer pessoas novas que me conheciam da Internet seja por conta dos meus vídeos ou da minha participação em podcasts, assistir palestras que me deram uma idéia do que abordar no meu tcc e por aí vai.

Dei várias entrevistas, tirei várias fotos, e até mesmo participei de um podcast!! A medida que encontrar aparições minhas por aí, atualizo este post.

- Entrevista no UOL: Deficientes físicos fazem críticas à acessibilidade na Campus Party 2012

- Post no blog da Lak Lobato, outra participante do debate web para todos: Web para todos na Campus Party

- Vídeo do @leomuraoka, vencedor do concurso em criar um vídeo editado apenas no celular: Campus Party: Internet, Conhecimento e Diversão! #CPBR5

- Entrevista que dei para o Tamboltech: Entrevista com Lucas Radaelli no #cpbr5

- Participei do Rapaduracast, o maior podcast do Brasil sobre cinema. Escutem lá!!: RapaduraCast 270 – Cegos e o Cinema