Arqueiros – Um sniper medieval [II]

Comentei na semana passada sobre Azincourt, um livro de Bernard Cornwell. Como prometido naquele post, vamos falar hoje sobre Senhores do Arco, de Conn Iggulden.

Os dois seguem uma mesma linha de livros, que é o romance histórico. É interessante mencionar que não consigo me decidir qual dos dois eu gosto mais. Cornwell se atenta apenas a fatos que a Inglaterra participou (e são muitos, diga-se de passagem), enquanto que o Conn Iggulden escreve sobre grandes conquistadores. Uma de suas coleções já publicada em português é o imperador, que conta a história de Júlio César. Agora, outra série ótima vem por aí: O Conquistador.

O conquistador narra os fatos épicos realizados por Gengis Khan, que resumindo em poucas palavras, foi fazer uma “party” imensa e destruir tudo e a todos que estiveram em seu caminho.

Como não poderia faltar, as pessoas logo acharam um motivo para ele ser o fodão. A lenda diz que Gengis Khan nasceu com um coágulo de sangue na mão direita, evidenciando um presságio de muitas mortes. De maneira semelhante, eu nasci com um cordão umbilical e isso não significa que serei um campeão no bumgee jump, mas os mistérios precisam ser contados, e os bardos alimentados, então quem sou eu para julgar? :P

O Senhores do Arco é o segundo volume da série. Ela inicia-se com o lobo das planícies, que conta a história desde quando Gengis Khan era pequeno. Particularmente, gostei mais do primeiro livro, onde temos uma conectividade maior com o personagem. No segundo livro, ele já é adulto, meio rabugento por causa dessas coisas de caras que tem um exército para liderar…….

Por outro lado, o segundo livro foca em diversos personagens, transformando a história em um emaranhado de intrigas e divergências. eu gosto quando isso acontece em um livro. A história fica mais real, nos levando cada vez mais perto de um círculo social, o que acontecia nas tribos mongóis.

Uma pergunta que pode estar a saltitar na mente de vocês: – Mas, quem é melhor: Os arqueiros ingleses ou os arqueiros mongóis?

Essa é uma pergunta que creio não poder responder satisfatoriamente. Por falar nisso, é uma questão que sempre tem me atormentado desde que li os dois livros.

Algo que é importante salientar é que os mongóis praticavam um tipo diferente de guerra. É meio pré-estabelecido que o exército possue certas divisões. Para simplificar a coisa, você pode imaginar que os cavaleiros são os playboys, montados em cavalos velozes, que quando correm batem no primeiro poste… digo, na primeira parede de escudos. Não são inúteis, pelo contrário, sua utilidade é grande, se bem usada e bem posicionada em lugares que possam agir. Mas na maioria das vezes é muita pomposidade para pouco trabalho, que é feito normalmente pela infantaria. Tal infantaria poderíamos dividi-la nos seguintes grupos:

  1. A infantaria composta por camponeses: chamada apenas em tempos de necessidade para aumentar os números das tropas.
  2. A infantaria equipada: quem faz o verdadeiro trabalho. Quem escala as muralhas, constrói uma parede de escudos, marcha contra o inimigo, e impede a cavalaria formando em quadrados.
  3. Os arqueiros: fazem parte da infantaria, mas normalmente não participam da frente de batalha. Permanecem nos flancos, atirando contra as tropas que se aproximarem.

É claro que isso não é uma definição exata. Muito menos precisa, ou qualquer coisa que tenda à realidade, à verdade bruta. Mas é o que eu pude perceber, lendo livros, assistindo filmes e pesquisas por aí, e acredito que não esteja tão longe assim da realidade.

Onde eu queria chegar, é o seguinte: os mongóis combinaram a mobilidade da cavalaria com a eficiência da infantaria, ou sendo um pouco mais preciso, de um grupo seleto dela, os arqueiros. Uma tropa de cavaleiros, armada com arcos é algo a se temer. Se bem cordenados, podem infligir um dano mortal a distância, e logo em seguida carregar contra a infantaria desfalcada.

Algo a se considerar seria o alcance entre os dois arcos, o inglês e o mongol. Pelo que andei lendo, o arco Mongol chegava mais longe. E se isso for verdade, adeus arqueiros ingleses. A mobilidade mortal dos cavaleiros combinada com a letalidade dos arqueiros é algo imbatível. Justamente por isso os mongóis foram um dos exércitos mais destrutivos já criados, sendo o mais veloz até a chegada das guerras modernas, onde veículos motorizados eram utilizados.

A série O Conquistador é recomendada novamente a todos que gostam de cultura medieval. Mais importante ainda, a cultura Mongol, a cultura que não vemos nas escolas, mas podemos ter um ótimo contato por livros.

Um abraço a todos.

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Comments

2 Responses to Arqueiros – Um sniper medieval [II]

  1. kz3r says:

    Nossa, campeão do Bungee Jump foi o auge…
    Mas, sério, cara o importante é os playboys morrerem primeiro, dai pra frente ganhar é uma consequencia. Mas olha ai, não sei pq minha mãe me chamava de mongol qnd eu fazia cagada, os caras são mó fodões com arqueiros que só perdem pra elfos! Nice post

  2. Clotilde Tavares says:

    Também sou fã de Bernard Cronweel e de guerras medievais. Estou escrevedo sobre Azincourt, em breve no meu blog. Achei o post ótimo.

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