Irlanda, onde os elfos vivem

Como disse no texto anterior, começo uma série de três posts para
descrever melhor como foi a viagem da semana passada. Acho que antes
mesmo de eu descrever como foi o passeio  e os preparos dele, eu
deveria explicar minha relação com viagens.

Long story short: eu odeio viagens. As com caráter apenas turístico,
desde uns 8 anos para cá, só me desgostaram. O que você mais escuta
das pessoas quando voltam de uma viagem é a maldita frase: – “Como era
bonito!”. O que significa que era apenas bonito e fica por isso mesmo.

E já que é para resgatar coisas de anos passados,  eu devo ter
absorvido um pouco do azar do meu amigo Kenny, o que causou uma
corrente improvável de eventos, que me fez bater a cabeça tão forte
que eu nem me lembro do acontecimento, que por fim, diminuiu meu QI em
100 pontos temporariamente. Porque uma vez, acreditem se quiserem,
minha mãe me convenceu a viajar com ela para uma cidade chamada:
Bonito. No meu mapa, claro, hoje em dia  a cidade chama-se Horrível.

Quando meus amigos disseram que planejavam uma viagem pela Irlanda,
Escócia e Inglaterra, eu realmente considerei participar, pelo único
motivo que eu queria dar mais uma chance a esse tal de turismo. Me
convenci completamente quando tive certeza que minha namorada ia passar um mês aqui na Alemanha antes de ir para o intercâmbio dela, em Portugal.

O dia da viagem chegou, lá fomos nós, de Karlsruhe para Baden-Baden,
cidade ao lado onde fica o aeroporto. Acordamos as 4 da manhã para
pegar o avião as 6. Mochila nas costas, sem mala nenhuma porque
voaríamos de Ryanair, que permite levar, apenas, uma bagagem de mão, do
contrário tem que pagar o despache.

Fizemos conexão em Londres antes de ir para Dublin. No aeroporto de
Londres comi um sanduiche chamado BLT (Bacon, Lettuce and Tomatoes), o
que me fez lembrar da Guiding Eyes (Escola de cães guia onde busquei o
meu).

Ao chegarmos em Dublin, fomos para o Hostel deixar as mochilas para
dar uma volta pela cidade. Permitam-me fazer um adendo sobre Hostels.
Se tiverem um pouco mais de grana, invistam em um lugar melhor para
ficar. Dos três lugares da viagem, o único hostel que prestava foi o
de Dublin. Claro, você divide o quarto com um monte de gente, o
banheiro normalmente está bem sujo e os chuveiros são bizarros, mas é
barato. Mas as vezes você encontra coisas absurdas do tipo, não ter
tomada no quarto, um chuveiro que esfriava no meio do banho quase
congelando  o sujeito, entre outros.

Paramos em um pub na esquina do Hostel para comermos algo. Pubs é o
que não vai faltar em Dublin, pelo menos no centro, certeza que tinha
um ou dois em cada esquina. Achei a comida da Irlanda  melhor que da
Alemanha, mas repetitiva. Talvez eu não tenha procurado muito, mas
todos os pubs que entrei, serviam praticamente a mesma coisa.

Na sexta-feira a noite fizemos um pub crawl, que é basicamente um tour
em vários pubs da cidade. O  diferencial deste que era um pub crawl
musical, onde dois músicos acompanharam a gente o tempo todo,  tocando
e cantando músicas tradicionais da Irlanda, as quais eu sou fascinado.

No dia seguinte fizemos um Walking Tour. Um passeio ao redor da cidade
com um guia, que explica com vários dados históricos, o que era cada
lugar a medida que passávamos por eles. Gosto dos walking tours  por
causa dos dados históricos, mas, no geral, é completamente dispensável
para mim, porque não posso tocar nada, só caminho de um lado para o
outro e escuto o guia falar.

Na Irlanda comi uma série de sanduíches nos pubs, desde hamburgers,
baguetes com carnes e molhos especiais, até os fast-foods da vida e
pizzas, que estavam mais baratos. Em especial, cito um sanduíche de
café da manhã que comi em uma rede de restaurantes chamada Eddie
Rocket’s, que tinha ovos mexidos, bacon, cebola e Black Pudding
(também conhecida como morcela (em português), ou mais comumente
chamada de morcilla), que é uma salsicha feita de sangue. Já havia
comido a morcilla espanhola e gostado muito, mas essa em especial
estava ótima.

No domingo fomos a Howth, uma vila de pescadores na Irlanda. O lugar
mal tem um artigo descente  na wikipédia, mas tem muita história para
contar. Novamente segui meus colegas, mas o passeio não valeu a pena,
pelo menos para mim. Consistiu em uma caminhada, praticamente o dia
inteiro, por trilhas, barrancos, lama, asfalto. Destaco os pontos
positivos da viagem que foram algumas poucas explicações históricas
dadas pelo guia, porque na maioria o lugar era o tipo de lugar que as
pessoas voltam dele e dizem que era ‘bonito’. No entanto, a pausa no
restaurante foi super interessante, porque tive a chance de comer um
Sirloin steak com manteiga de alho,  que segundo minhas pesquisas, é o
corte britânico equivalente ao nosso contra-filé, estava muito bom. A vila, as trilhas, tinham toda aquela paisagem que a gente imagina quando pensa na Irlanda, e admito que me senti em paz quando saí de uma das trilhas, e andando na rua eu senti o cheiro de lenha queimando nas casas. Naquele momento comecei a pensar no passado, e imaginar quando os celtas viviam ali. Não é difícil de imaginar eles ouvindo os ruídos da noite e pensando que são elfos da floresta. Foi um momento muito viagem, bucólico mas maneiro.
 Final de passeio, voltamos acabados para o Hostel e dormimos porque a viagem não acabava em Dublin.

Logo na segunda-feira de manhã partimos para a Escócia. A impressão
que a Irlanda me deixou foi muito positiva, embora eu não tenha feito
muitas coisas que eu tivesse aproveitado ao máximo. Mas realmente
gostei de ter estado lá, caminhado nas ruas e interagido com  várias
pessoas. Os Irlandeses são um povo muito alegre, não tão expansivo
quanto o brasileiro, mas alegre. Notei essa alegria, que aparece muito
mais quando a música está presente, em um pub que fui no sábado a
noite onde todos faziam silêncio para ouvir certas músicas que eram
cantadas pela banda e muitas delas o pessoal acompanhava batendo os
pés no chão e cantando.

O que eu tenho para dizer sobre a Irlanda? Talvez tenha gente que
volte apenas com uma palavra na bagagem para contar para os outros:
Bonita. Eu já diria muitas outras: – Pubs muito confortáveis de se
estar e essa é a intenção deles mesmo. Como um guia nos disse, se
você se sentir que está na casa de um amigo seu ao entrar em um pub,
ou se sentir que está na casa de alguém, o pub cumpriu seu objetivo.
Afinal, os primeiros pubs foram feitos nas garagens das pessoas.
Vibrante – Com sua variedade de instrumentos típicos, a William Pipe
(versão irlandesa da gaita de foles), a tim e low whistle, irish flut,
Bodhran, o violino, que é chamado de Fiddle, a própria afinação
diferenciada  dos violões em (DADGAD), para tocar as músicas
tradicionais, o idioma gaélico, que ainda sobrevive até hoje.
Convidativa – Embora a variedade das comidas não seja lá tão grande,
como já comentei, os cheiros eram mais do que acolhedores. Muitas
vezes estive com fome e quase larguei o tour para entrar em um pub e
pedir seja lá qual fosse a comida, só queria a que estivesse cheirando
igual do que eu senti lá fora.

E muito mais.

E como eles diriam “felicidades! ou ao brindar um drink em gaélico, eu
me despedi da Irlanda dizendo:
-       Slainte!

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