Mais perdido que cego na Blitzkrieg

Estou a menos de uma semana na Alemanha e já são tantas as coisas para contar que fica difícil entrar em detalhes, mas posso dizer que foram, por enquanto, os dias mais difíceis da minha vida.

Terça-feira, a tarde, deixei o Brasil.
Por sorte, encontrei, algumas semanas antes, outra pessoa que viria para Karlsruhe, e conseguimos comprar uma passagem de avião pro mesmo dia. Então lá fomos, Annelisa, Timmy e eu, juntos para a Alemanha. Fazia tempo que eu não me sentia tão ansioso quanto me senti no momento de embarcar, mas essa sensação, estranhamente, passou logo que sentei no avião.

O primeiro trecho foi de Curitiba à São Paulo e o segundo de São Paulo para Frankfurt.
No aeroporto de São Paulo tivemos a sorte de encontrar outros alunos da UFPR, que por coincidência também compraram a passagem para o mesmo dia, e que, por mais conincidência ainda, também iriam fazer intercâmbio em Karlsruhe!!! Logo conversamos um pouco e ficamos todos amigos.

Assim que entramos no avião para Frankfurt, os acentos que haviam sido reservados para nós, que eram lugares com um pouco mais de espaço para as pernas, para poder acomodar o Timmy deitado no chão, não poderiam ser usados porque eram saídas de emergência. Chamaram a chefe de cabine do voo e prontamente ela disse uma frase que eu não iria me esquecer:
“Vou dar para vocês um upgrade.”
E lá fomos, amigos. Viajando feito reis, porque não tinha como ficar melhor. Na real até tinha; Inicialmente pensei que estávamos na primeira classe, mas na verdade era a business class. A primeira classe, pelo que dizem, era melhor ainda.

Seja primeira classe, ou não, o lugar onde eu estava já era ótimo o suficiente. Sentamos na fileira do meio do avião, onde haviam 3 bancos. Eu fiquei no do meio, a Anne no da direita e o Timmy deitou no chão na frente do banco da esquerda. Os bancos deitavam completamente até virarem uma cama, a comida era muito boa, as bebidas existiam de todo tipo e a vontade. Quando ofereceram champagne eu apenas aceitei uma taça e pensei comigo mesmo:
“Like a boss!!”
A viagem foi, particularmente, tranquila, até que lá por duas da manhã, quando eu já tinha conseguido pegar no sono, o avião sofre uma turbulência, e faz uma caída brusca, como se estivessemos em uma descida leve de uma montanha russa. Sério, eu acordei dando um pulo, assustado pra caralho enquanto outras pessoas davam uns gritinhos contidos. E o Timmy? Levantou a cabeça, imagino que com uma cara de “What the fuck man” e voltou a dormir.

Falando no Timmy, ele me surpreende cada vez mais. Com certeza essa foi a viagem mais longa que fizemos juntos de avião. Isso significa que ele não pode ir ao banheiro por várias horas, mas ele aguentou super bem e foi comportado deitadinho no seu canto. Good boy!

Quando chegamos em Frankfurt uma pessoa do aeroporto veio para me ajudar. Ela só falava Alemão e, desde aquele momento, eu ia ter que ir praticando os meus conhecimentos no novo idioma, quais diga-se de passagem, são bem precários, ainda. Consegui responder as perguntas da mulher no geral e logo conseguimos nossas malas.

Pegamos um trem para Karlsruhe e na estação final uma pessoa viria me buscar. Foi quando me levaram para a minha nova casa que os problemas começaram.

O lugar que eu estava alocado era muito longe da universidade, do centro… de tudo.
O ambiente era ótimo, um apartamento pequeno com quarto e cozinha junto e um banheiro. Porém, como eu disse, muito fora de mão para mim que preciso andar, ao invés de usar a bicicleta, que é o principal meio de transporte por aqui.

Como eu cheguei depois das 4 da tarde, o responsável pelo alojamento não se encontrava mais lá. Isso significava que eu não podia assinar o contrato, conseguir utencilhos básicos de sobrevivência e por aí vai. O chuveiro estava desconectado, não havia nenhum talher, a internet não funcionava, eu não tinha roupa de cama, cobertor… e o pior, eu não sabia andar sozinho para chegar até o centro para comprar essas coisas.

A pessoa que me deixou lá logo teria que sair, mas antes disso conseguiu chamar um estudante de Karlsruhe, que iria me ajudar no que eu precisasse. O cara foi muito gente boa. Ele foi até onde eu ficava, me trouxe algumas coisas incluindo um cobertor.

Saí para dar uma volta com ele pela cidade e no pequeno trajeto que fizemos para chegar até a estação de trem eu comecei a perceber que estaria perdido se ficasse naquele lugar.
O lugar era uma área muito residencial onde a rua que passava em frente também servia como calçada. O que não impedia os carros e as bicicletas de passarem. Além disso, era preciso atravessar uma rua, que não tinha semáforo e era bem movimentada. Seria algo tranquilo em outras circunstâncias, onde eu poderia pedir ajuda para atravessar, mas como o lugar era bem residencial mesmo, o número de pessoas na rua é quase nulo.

Os problemas começaram a aparecer cada vez mais a medida que fazíamos nosso caminho para o centro da cidade. Era preciso pegar dois trems para chegar, fazendo uma baldeação que não era muito fácil de adivinhar o trem correto a se pegar quando não se enxerga.

Na quarta-feira, quando voltei para casa depois do passeio, eu me senti muito deprimido. Tudo parecia conspirar para não dar certo e quando eu notei que nem uma faca eu tinha para abrir a comida do meu cachorro, eu sentei e comecei a refletir sobre tudo que eu havia decidido fazer. Naquele momento tudo parecia errado.

Os meus pontos fracos mais críticos se mostravam a cada momento. Eu tenho dificuldades em me deslocar em uma área nova, onde ninguém me mostrou o caminho de onde são as coisas. As travessias de ruas que eu não podia fazer direito nem mesmo com a ajuda do Timmy. A falta da Internet, o que me tirava a comunicação, que me é tão útil na hora de buscar informações para resolver meus problemas, seja lá qual for sua natureza. O alojamento que eu me encontrava estava totalmente vazio, o que me impossibilitava de pedir ajuda para alguém. Como é ainda época de férias, a maioria dos alemães não se encontram por aqui. A união de tudo isso estava me assustando pra valer.

Na quinta-feira, esse sentimento de derrota se abateu mais uma vez sobre mim e nessa hora eu quase desisti de tudo. Como se não bastasse todos os problemas que eu estava tendo, a pessoa que eu havia combinado de me encontrar as 11 da manhã para me levar ao centro comprar as coisas básicas e me encontrar com meus amigos brasileiros não apareceu. Eu notei mais uma vez um ponto fraco meu vindo a tona, onde eu dependia de uma pessoa exclusivamente para resolver meu problema.

Com fome, querendo tomar banho, sem saber onde eu estava, essas coisas começaram a me sufocar cada vez mais. É estranho tentar explicá-las agora em palavras, onde eu apenas as listo e não consigo passar a emoção suficiente que elas me passavam, aquela sensação opressora que eu estava sentindo. Lembro que respirei fundo e pensei se havia algum modo de resolver tudo aquilo… havia.

A pessoa que iria me buscar finalmente apareceu. Era o mesmo estudante alemão do dia anterior, que pedia desculpas após chegar andando no lugar onde eu morava arrastando sua bicicleta, qual quebrou no caminho.

Fomos para o centro e logo rodamos vários escritórios da universidade para conseguir me trocar de lugar. A ajuda desse cara foi ótima, porque ele discutia com cada um que a gente encontrava no caminho para conseguir o contato dos superiores que realmente poderiam fazer alguma coisa.

Conseguimos um outro alojamento temporário para eu ficar durante o final de semana. Era o mesmo que outro estudante brasileiro, que eu encontrei no aeroporto, mora. O nome dele é Felipe e o cara está me dando uma ajuda inestimável nesses últimos dias.

Segunda-feira haverá uma reunião para ver onde eu realmente vou ficar. A idéia é que eu fique nesse quarto e a pessoa que viria para cá, na segunda, fique com o meu antigo. Ou se isso não der certo, o Felipe vai para o meu outro quarto e eu fico com o dele nesse lugar, mas não há nada certo,por enquanto. Parece que me alocaram nesse lugar super longe inicialmente porque era o único lugar que aceitavam cachorro, e por isso não fiquei em outro mais perto. Mas haverá uma reunião, como eu disse, para decidir tudo isso e espero que o resultado seja positivo.

Agora sim, as coisas estão começando a dar certo. Na sexta e sábado saí com o pessoal do Brasil e alguns alemães, afinal, agora eles conseguem me achar porque moro ao lado da universidade!!!

Já aprendi o caminho para uma farmácia, um mercado, dois restaurantes e a própria universidade. Estou pouco a pouco aprendendo como se faz comida, como se limpa o quarto, e cada vez menos as pessoas precisam me ajudar com alguma coisa.

Esses dias me fizeram pensar muito sobre o que significa ser independente. Por um tempo achei que eu não seria capaz de ser. Com certeza existem coisas que eu não posso fazer, e outras que terei dificuldade. Mas o que eu percebi também, é que se eu tenho as chances necessárias, um apoio inicial, eu posso muito bem atingir os meus objetivos. Agora que moro em um lugar mais acessível, consigo ir a pé em todos os lugares que eu quero. Consigo, também, me encontrar com as pessoas que podem me dar uma força quando eu preciso.

No mais, sexta e sábado consegui aproveitar um pouco de Karlsruhe. Passeamos, fizemos algumas compras no mercado, e descobrimos cada dia um pouco mais sobre a cidade. Me impressiona o fato das calçadas aqui serem todas lisas e perfeitas facilitando muito na acessibilidade. Quase todos os semáforos por aqui tem um botão que você aperta, e quando o sinal está verde, esse botão vibra, indicando que é seguro atravessar. Além disso, existe uma pequena seta sobre esse botão, indicando a direção do cruzamento que esse semáforo controla, é realmente incrível!

A maioria dos alemães que interagimos nos trataram super bem. Bati um papo de uns 5 minutos com uma mulher na farmácia, quando eu tentava encomendar um remédio, tudo em alemão, e foi muito legal. Outra hora entramos, também, em uma loja de violinos para ver os preços, e eu, não sei como, consegui conversar com a mulher sobre que tipo de violino eu queria, faixa de preço, tipo de arco, tipo de queixeira e muito mais.

Domingo irei em um churrasco organizado por outros brasileiros que já moram aqui em Karlsruhe. Acho que vai ser bacana e espero que haja alemães por lá para que possamos praticar o Deutsch.

Depois dos dois primeiros dias, que foram um inferno, sinto que as coisas vão começar a melhorar.
Ainda existem problemas, com certeza, a diferença é que agora posso enfrentá-los em separado, estando alimentado, de banho tomado e com o cachorro, também, de estômago cheio :P

Auf Wiedersehen!

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Comments

26 Responses to Mais perdido que cego na Blitzkrieg

  1. National Kid says:

    Boa, Lucas! Parabéns por ter juntado forças para enfrentar os contratempos.

  2. Uma verdadeira aventura, hein? Que bom que as coisas estão dando certo. Boa sorte!

  3. Marco Gomes says:

    Lucas, você é um exemplo p/ todos nós. Mesmo com uma dificuldade que, p/ nós que enxergamos, parece tão intensa, você persiste, resolve seus problemas e busca seus objetivos. Cada história que você conta é um tapa na cara de quem já desistiu de algo na vida.

    Parabens, continue nos inspirando e dando tapa na nossa cara p/ aprendermos, afinal, que não há desculpa que segure quem quer fazer.

  4. Muito bom, Lucas! Estou feliz por você!
    Espero que continue dando tudo certo e que você consiga se adaptar totalmente aí.
    Continue assim, sempre tentando superar os obstáculos.

    Um abraço.

  5. Andre Behar (Papa Léguas) says:

    Lucas,

    A cada dia que passa fico mais impressionado com você! Faço minhas as palavras do Marco Gomes, e desejo a você muito sucesso na sua estada na Alemanha! Acompanharei o blog para ver como andam suas aventuras!

    Parabéns pela persistência e pela força que você encontrou para superar os desafios dos primeiros dias!

    Um forte abraço,
    @papaleguas

  6. Natalia says:

    Esse sentimento de derrota vai e volta, é assim mesmo, com o tempo fica mais raro de aparecer, mas sempre rola uma crise a cada 6 meses ou a cada ano. Tem mais a ver com a distância que com a situação em si, imagino. E como assim o único alojamento que aceita cachorro? Na Alemanha eles aceitam cachorro em tudo quanto é lugar.

    E quanto a talheres e essas coisas de casa, tenta dar um pulo na IKEA ou na Butlers, as duas lojas são baratinhas (principalmente a primeira) e lá você consegue todos os utensílios básicos pra casa.

    Boa sorte aqui na terra da batata.

  7. Natalia says:

    E uma boa dica pra praticar o alemão é procurar um Tandem partner. Muitos alemães querem aprender português, você pode ajudá-los e em troca eles te ajudam com o alemão. De quebra você ainda acaba conhecendo gente nova. Geralmente, nas universidades você acha murais com anúncios de gente procurando tandem. E nunca caia na besteira de falar muito português ou resolver coisas complicada em inglês, se complique em alemão mesmo. :)

  8. DeniseKN says:

    O que mostra que podemos mais do que achamos, independentemente de tudo. :)

    Boa sorte aí! E que venham várias experiências de vida e histórias pra contar!

  9. Fellipe says:

    É isso ai Lucas, bom saber que as coisas estão sendo resolvidas. Bola pra frente, e continue escrevendo!

  10. Marton says:

    Lucas, parabéns cara! Essa tua aventura com certeza vai gerar frutos maravilhosos. Independência é algo realmente relativo, todos nós dependemos da boa vontade do outro em diversas situações onde não temos total controle e isso em nada diminui nossa capacidade de crescer e aprender. Tua coragem só mostra que temos mesmo é que enfrentar nossos problemas e não desistir nunca.
    Grande abraço e boa sorte em terras alemãs!

  11. Luis Gustavo Taboada says:

    Lucas, boa sorte nesse seu novo desafio. Passei por um sentimento parecido quando fiz intercambio. Apesar das dificuldades serem completamente diferentes pra você, tenho certeza que vai superar e que essa vai ser uma experiencia vai ser alvo de muito orgulho em breve.

  12. Leandro Theodoro says:

    Força cara, não desista, como o Marco Gomes disse você um exemplo. Eu jamais conseguiria passar pelo que você está passando mesmo com a visão ótima.

  13. Felipe Raabe says:

    É, cara. O pior você já superou, agora sabes que pode conseguir o que quiser :D
    Próximo passo, dominar a Alemanha.

  14. Juliano Sill says:

    Assim como o Marco Gomes falou, você é um exemplo para muitas pessoas. Não só por ser um cego e enfrenter dificuldades, mas pelo fato de não desistir, de persistir, de ir atrás do que você procura.

    Sou deficiente auditivo, ouço e entendo com problemas, e me ferro muito pra aprender um novo idioma. Não consigo compreender as falas. Mas ainda vou conseguir!

    Desejo toda a sorte pra ti aí, que dê tudo certo. Espero que aprenda muito, aproveite bastante sua estadia e supere cada obstáculo que surgir.

    Grande abraço!

  15. lully says:

    Caramba, entendo muito bem o que é essa insegurança em outro país. Imagino como deve ser pior sem poder ver e ainda com o Timmy pra cuidar :/
    Mas que bom que as coisas estão se desenrolando pro melhor, tenho certeza que de agora em diante vai ser só experiências boas!
    Parabéns, Lucas, viel Glück!!
    ein Küss

  16. Vidalia Maria says:

    Estive lendo seu relato, não está sendo nada fácil os primeiros dias na Alemanha, mais não desanime, os obstáculos estão aí para ser superados, aos poucos você vai ultrapassando todas as dificuldades e concretizando seus sonhos. Força, Fé e vá em frente.

  17. Talita says:

    Parabéns Lucas, essa nova jornada vai ser bem interessante e inesquecível tenho certeza. E continue compartilhando com a gente sempre que puder! :)

    tschüs!

  18. Vitor Barbosa says:

    Lucas, suas superações são uma fonte de inspiração para muitos!

    Quando der tempo, curta uns shows do Blind Guardian por aí!

  19. E eu que acompanho seu tuiter um tempão e não sabia desse blog. Um lugar novo é assustador pra todos, e quando estamos enfrentando algo fora da nossa zona de conforto, tudo parece ainda pior, mas você é um exemplo porque está além de quaisquer dificuldades que a maioria de nós considera como deficiência e tem na verdade uma vantagem sobre a maioria, a perseverança.

    Adaptar não é fácil, mas é o que faz de nós humanos melhores. Boa adaptação aí e que logo as dificuldades sumam, virem cotidiano e a experiência vire algo ótimo.

    Boa sorte.

    PS: Não sei alemão que nem a Lully pra fazer uma despedida bacana LOL

  20. Fernando Ganança says:

    Parabéns pelo texto, gostei muito, dá para virar livro!

  21. Marco says:

    Lucas,

    Cada vez que vejo você passando por alguma situação difícil como essa, me sinto mais inspirado, pela sua força de vontade, para dar um “leap of faith” na minha vida. Tenho várias idéias, mas receio de colocá-las em prática. Você prova, sendo desse jeito, que as maiores limitações somos nós mesmos que fabricamos na nossa cabeça.

    Fantástico, cara! Continue sendo esse exemplo de pessoa.

  22. Fernanda Frizzas says:

    Que orgulho de você primo!!! Aproveite bastante sua aventura “like a boss” !!

  23. Rafael Radaelli says:

    Fala primo!!!! Gostei demais do seu relato!!! Você é um cara iluminado!!!! Quero muito poder conversar cada vez mais com você!!! Tenho muito a aprender!!! Grande abraço!!!

  24. sebastiao says:

    Lucas! Nur den stärksten ist so eine Erfahrung reserviert. Der Schöpfer aller Schöpfungen kennt der Hintergrund. Lese viel und möglicherweise wenn du es noch noch getan hast, suche die Bücher von Napoleon Hill, du braucht es nicht, aber die konnten dir die nötige Kräften einiges zu verstehen.
    Liebe Grüße
    Sebastiao

  25. Jiliardi says:

    Olá primo, que viajem fantástica !!!
    É incrível como a cada pedra que atravessa seu caminho você se sobrepõem e se eleva mais !!!

  26. Giórgia says:

    Que orgulho de você!

    Parabéns por ser um exemplo pra gente! O Marco Gomes disse tudo lá em cima!

    Muito sucesso nesta nova jornada!

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